sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Dia das Bruxas
Lembrei do significado que muitas pessoas dão as bruxas, da forma como elas foram tratadas no passado e como as bruxas atuais ainda se recentem desta carga.
Devido ao poder que a Igreja católica se auto-outorgou, os pagãos e, principalmente as mulheres seguidoras desta doutrina, foram queimados em fogueiras. Alias, notadamente a fogueira, junto com o caldeirão, virou sinônimo de coisas ruins.
Quando olhamos na literatura infantil, percebemos a descriminação sofrida. Quando se fala de alguém ruim, se usa o termo bruxa, mas quando queremos falar de uma mulher boazinha, se transformam em fadas.
Infelizmente isso se deve ao fato de que para a Igreja Católica antiga, as mulheres eram consideradas um segundo nível na escala evolutiva humana.E como as bruxas tinham conhecimentos que eram considerados exclusivos dos homens, tiveram que pagar com suas vidas.
Nos dias atuais, apesar de termos evoluído muito, ainda existe este pré-conceito, tanto que são poucas as religiões e crenças que apresentam mulheres nos cargos principais.
Esta visão patriarcal ainda está extremamente arraigada no seio da Igreja Católica, criando uma falsa idéia de que o feminino está ligado ao profano.
Dentro das inúmeras leituras que faço, percebo que esta mesma situação se encontra em diferentes outras crenças. Para muitos, o poder feminino é como uma arma letal. Com esta arma, os homens se perderiam e se desviariam do seu caminho em direção ao Céu.
No xamanismo o Sagrado Feminino ocupa o mesmo espaço que o Masculino. A força Feminina é necessária para a geração de vida, para o uso intuitivo, complementando o Masculino. Nas culturas ditas primitivas, elas exercem um papel fundamental, sendo delas a função de manter a coesão do Todo.
Espero que com o passar do tempo, aprendamos a respeitar mais as Bruxas. E não somente isso, mas que também consigamos manter o equilíbrio das duas forças dentro de cada um de nós. Pois somente desta forma, estaremos conectados ao Universo como um todo.
Muita paz, luz e harmonia sempre
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 31 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Idade X Sabedoria
Uma coisa tem me chamado muito a atenção ultimamente. Vejo muitas pessoas com mais idade procurando aconselhar os mais jovens, dizendo que por terem mais vivência, possuem uma Sabedoria maior.
Só que muitas vezes isso não significa que estas pessoas realmente sejam mais Sabias, até porque de nada adianta vivermos muitos anos e continuarmos presos aos conceitos antigos. Os anos que vivemos, só se transformam em Sabedoria quando aprendemos com as experiências acumuladas. Se continuarmos infectados por modelos antigos, que não evoluem com o passar dos anos, deixamos que a nossa vida se torne num enorme museu.
Quando em muitas conversas vejo as pessoas mais velhas desfilarem suas teorias, pregando que antigamente as coisas eram melhores, percebo que elas fincaram suas raízes no passado e, com isso, acabam se fechando ao novo.
Criando um padrão baseado nos ensinamentos antigos, ultrapassados, deixamos que a evolução do nosso Ser seja bloqueada. Fixamos nossos conceitos em atitudes e hábitos que já não tem mais sentido, procurando no “velho” o nosso porto seguro. Isto se deve muito mais ao medo do novo e das mudanças, do que propriamente ao fato de que antigamente realmente eram melhores.
Usando um exemplo bem simples, vejamos o que acontece nos dias atuais com as nossas crianças. Muitas delas apresentam características distintas das crianças que existiam na época dos nossos pais, avos, e em tempos anteriores. Mas dispensamos a elas a mesma educação e tratamento que eram dispensados a eles. Continuamos tratando aqueles que são classificados como hiper-ativos, da mesma forma que antigamente, encaminhando eles para os psiquiatras e psicólogos, buscando as fórmulas “mágicas” dos remédios. Apesar de já haverem muitos profissionais que tratam estas crianças como elas precisam, dando a elas estímulos, permitindo que elas possam ter desafios, ainda existe uma parte dos profissionais que continuam engessadas nas técnicas antigas.
Deixamos de evoluir simplesmente porque procuramos usar as formas que deram certo no passado para coisas novas. E, com isso, acabamos criando uma barreira que dificulta aos jovens vivenciarem as suas particularidades.
Muito se vê e se ouve falar que o Mundo está cada vez mais violento, que os jovens só pensam em se drogar, mas estas mesmas que carregam estes conceitos dentro delas esquecem que se isso está acontecendo é porque, apesar das gerações serem diferentes, continuam querendo moldar as personalidades mais novas baseadas nos padrões que já se mostraram mais do que falidos.
Mesmo sem ter formação superior e filhos, vejo como é importante procurarmos estar abertos a novos conceitos, procurar informações sobre as mudanças, sobre a evolução das gerações, para que possamos desta forma ter uma visão mais ampla e, assim, consigamos aprender e respeitar as características dos indivíduos mais jovens.
Muita Paz, Luz e Harmonia sempre
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 26 de outubro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Brincar
A medida que as mães passaram a trabalhar fora, em maior quantidade, a infância foi sendo substituída por atividades intelectuais. Matriculamos nossos filhos em cursos de línguas, informática, ballet, futebol, natação, violão, .... Ocupamos o tempo deles que não estamos presentes. As brincadeiras e coisas da idade foram substituídas, a inocência foi trocada pela violência.
Nas famílias com condições financeiras, as crianças são educadas pela tv, pelo computador, videogame e diversos instrutores diferentes. Como temos dinheiro, compensamos no fim de semana no shopping ou no Mc Donalds. Com as crianças carentes, moradores de rua ou de favelas, o brinquedo delas é viver. Aprendem a se virar desde piá. Adoram armas, brincar de polícia e bandido (normalmente brigam para serem os bandidos, o patrão da boca). São educados pelos traficantes, pelos estupradores, assaltantes e outros do gênero.
Percebemos estes desvios com muito mais precisão nas nossas escolas. Hoje os alunos agridem verbal e fisicamente os professores. Quando é entre eles, aparecem armas o objetos que causam danos maiores. Mesmo entre as crianças que tem um poder aquisitivo maior, também se percebe este comportamento.
Lembro da minha época de criança, de subir em árvores, de jogar 5 marias, montar quebra-cabeças. Corríamos nas ruas, jogávamos bola de pés descalços nos paralelepípedos (quanto tampão de dedo tirado fora...rsrs). Algumas vezes aconteciam as brigas, só que muitos iam em casa para pedir permissão para brigar (acabava a briga na hora).
Penso se estou vendo certo. Quero muito estar errado, que esta imagem que tenho da infância que propiciamos as últimas gerações fosse tão distorcida e não influenciasse no comportamento nas fases seguintes. Seria muito bom se isso fosse apenas reflexo da minha visão extremamente crítica, mas, infelizmente, cada dia que passa eu percebo que esta é a realidade.
Porto Alegre, 16 de Setembro de 2009
Mta paz, luz e harmonia sempre.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Amor x amor
Tenho uma visão muito simples sobre o Amor, sobre o que é Amar. Sei que a maior parte das pessoas discorda do modo como penso sobre isso, mas mantenho minha opinião.
Várias pessoas conversam comigo sobre o amor, sobre precisarem ter alguém ao seu lado para se sentirem completas. Falam que a sua vida é vazia pois estão sozinhas, que somente quando estão amando se sentem felizes. Algumas chegam a ser radicais, procurando na falta de amor as respostas para o resto das questões de suas vidas.
Talvez alguns fiquem curiosos com o fato de as vezes eu usar o Amor, com o A maiúsculo e, em outros momentos uso ele com a minúsculo. Esta diferenciação é para ressaltar que chamamos erroneamente uma coisa de amor, mas que na verdade não é bem assim.
Alguns criaram divisões no amor. Para estes existem o amor dos pais, o amor fraternal, o amor de amigos, o amor de casal e, vários outros tipos. Eu ainda continuo entendendo como uma única forma de Amor, mas acrescidas das nossas necessidades materiais.
Quando me falam das diferentes formas de amor sempre penso na forma como os animais (ditos irracionais) elegem seus companheiros. O tamanho do macho, a beleza da plumagem, o canto, a força, enfim, os fatores físicos são determinantes pela escolha, pois para a maioria das espécies é uma questão de seleção natural em busca da perpetuação. Isto também acontece entre os humanos, principalmente nas tribos indigenas. As crianças frágeis ou com deficiências são sacrificadas para não prejudicarem o desenvolvimento dos outros. O guerreiro mais forte e corajoso tem o direito de escolher a sua mulher, mesmo que esta seja mulher de outro.
Em se tratando de pessoas ditas evoluídas, isso é descabido. Acreditar que amamos fulano ou beltrano por que ele é lindo, tem olhos claros, é forte, tem porte de modelo ou ator, é simplesmente colocar um sentimento tão lindo em algo que não dura muito tempo. Um corpo atlético, deixa de ser vistoso com o passar do tempo, a menos que a pessoa resolva dedicar toda a sua vida à malhação, já a beleza interior dificilmente decai.