Estava relembrando de coisas do passado. De algumas experiências que já tive.
Lembro de uma noite em que chovia muito aqui em Porto Alegre. Eu morava sozinho na casa onde eu passei quase toda a minha vida.
Me preparava para ir deitar. Já estava no quarto, ouvindo música e lendo. Daqui a pouco a campainha começa a tocar, insistentemente.
Levantei e fui até a porta da frente para ver quem estava tocando. Para minha surpresa, não havia ninguém, mas a campainha não parava. Acreditando que poderia ser um curto por causa de alguma goteira, peguei uma escada e cortei os fios que ligam a campainha. Como ela parou de tocar, achei que o problema estava parcialmente resolvido.
Voltei para o quarto e retomei a minha leitura. Para meu espanto total, passados alguns minutos, a campainha voltou a se manifestar e, junto com o seu toque, senti um calafrio que subia da base da coluna até a região do pescoço. Na parte traseira do meu pescoço sentia como se houvesse um formigueiro enorme, com todas as formigas me mordiscando ao mesmo tempo.
Fechei o livro, desliguei o som, e comecei a conversar com meu Anjo da Guarda e outros Amigos Lá de Cima. Aos poucos a sensação pesada foi se dissipando, bem como a campainha silenciou. Agradeci aos Irmãos que vieram me prestar socorro e acabei adormecendo.
Em uma outra ocasião, numa virada de ano, eu estava acompanhado por uma ex-namorada. Estávamos indo da parte dos fundos da casa para a parte da frente. Exatamente no mesmo corredor onde fica a tal campainha aconteceu mais uma coisa estranha. As luzes estavam desligadas e eu de brincadeira disse: - Estou com medo do escuro. Foi eu terminar a frase e a luz do corredor se ligou.
Ela me olhou e perguntou se eu tinha ligado a luz, mas era impossível, pois nos encontrávamos exatamente no meio do corredor, onde não existia nenhum interruptor.
Recordo também de estar assistindo um documentário sobre civilizações antigas na TV. De repente simplesmente a TV se desligou. Achei que tinha dado alguma queda de luz, com isso peguei o controle remoto e tentei religar, só que não dava nem sinal. Me levantei e fui ver o que poderia estar errado. Ao olhar para a tomada, veio a surpresa. Simplesmente o fio da TV estava desconectado da tomada. Chamei mais uma vez meus Amigos, conversei com eles e procurei terminar de assistir o documentário, o que foi quase impossível pois a esta altura meus pensamentos procuravam entender o que aconteceu.
Assim como aconteceu com a TV, aconteceu algumas vezes com o meu aparelho de som algo semelhante. Só que no caso do som, simplesmente ele se desligava, normalmente quando eu ouvia alguns cds de meditação. Mas também aconteceu uma vez de ter faltado luz em toda a casa e somente o som ficar ligado, tocando um destes cds.
Tem uma outra experiência que não ocorreu na minha casa. Um grupo de amigos se reuniu num barzinho em Ipanema. Eu estava sentado ao lado de uma grande amiga, com a qual várias vezes conversei sobre assuntos ligados a espiritualidade. Conversávamos bem tranquilos quando ouvimos um espirro vindo de trás de onde estávamos sentados. Os dois olhamos para ver quem era. Só que não havia ninguém ali. Nos olhamos e começamos a rir. Ninguém na mesa entendeu nada, mas preferimos não comentar o que acontecera.
É interessante eu ter me lembrado destes acontecimentos exatamente no momento em que estou organizando as minhas coisas para mais uma mudança.
Sou grato por ter passado por algumas destas experiências com outras pessoas. Pois assim não fico pensando que é tudo coisa da minha imaginação fértil.
Tenham muita luz, paz, harmonia e Amor sempre.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 20 de setembro de 2010.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Divagando sobre minhas experiências de vida
Estava aqui relembrando fatos passados.
Passei por uma experiência bastante interessante a aproximadamente 10 anos.
Nesta época eu participava de um grupo que realiza trabalhos voluntários dentro de algumas instituições psiquiátricas e também numa casa prisional.
O primeiro contato que tive com este trabalho aconteceu dentro do Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Por ser feito dentro de instituições, uma das regras é que não podíamos entrar sozinhos nas instituições. Deveríamos esperar que todos os integrantes do grupo estivessem no local para podermos ingressar.
Cheguei no São Pedro no horário marcado. Fiquei no portão esperando pelo restante do grupo. Como já faziam 15 minutos e não tinha sinal dos outros, me dirigi a portaria para saber se eles já estavam por lá. O guarda me informou que estavam lá dentro e que era para eu entrar. Achei estranho, mas entrei mesmo assim.
Por ser a minha primeira visita, estava mais perdido que cego em tiroteio. Havia perguntado em qual dos prédios era o trabalho e o segurança me disse que seria no primeiro prédio.
Como ainda não conhecia o São Pedro, que diga-se de passagem é muito lindo por dentro, fui caminhando lentamente, procurando "sentir" o ambiente.
Ao chegar na porta do prédio, vem a segunda surpresa do dia. Não havia nenhum sinal de vida.
Entrei no edifício. Era um longo corredor, sem iluminação. A única claridade que percebia vinha das portas das diferentes salas e, mesmo assim, eram apenas vestigios da luz do dia que entrava pelas janelas de cada compartimento.
Continuei avançando pelo corredor, ao mesmo tempo em que sentia odores fortes de urina e fezes, que se misturavam a penumbra, também sentia uma Energia extremamente leve me envolvendo. Ao passar pelas duas primeiras salas, que ficam de frente uma da outra, levei um choque. Ambas estavam completamente vazias, sem nenhuma mobilia. Segui adiante e a cena se repetia a cada sala que eu passava. No final do corredor havia uma escadaria que dava acesso ao segundo andar do prédio. Respirei fundo, conversei com meu anjo da guarda e subi os lances de degraus.
O visual no andar superior era praticamente o mesmo do térreo. Outro longo corredor, sem luz.
A esta altura, já sabia que a informação de que o trabalho que realizaríamos no São Pedro não se daria neste prédio, mas a curiosidade me fazia percorrer este andar por completo.
Ao adentrar no corredor, uma sensação muito estranha se apossou de mim. Senti minha espinha se arrepiar completamente. Cada passo que eu dava, fazia com que eu fosse sendo tragado pela escuridão. Parecia que as paredes se movimentavam, de forma parecida ao movimento realizado pelo nosso estômago quando recebe alimento. Continuei em frente, como se estivesse sendo empurrado para o fim do corredor. Passava pelos conjuntos de salas e todas eram iguais, sem móveis e sem nenhuma forma de vida.
Quando estava defronte ao último par de salas, me deparei com uma cena que me chocou tremendamente. Numa das salas estavam 3 pessoas. Todos completamente nús. Um deles falava sem emitir um único ruído sequer. O segundo estava deitado no meio das fezes e urina, em posição fetal. Já o último dos integrantes deste grupo enrolava algo que me pareceu ser grama numa folha de jornal e tentava fazer um palheiro. Me detive na entrada desta sala por um tempo que nem eu mesmo consigo calcular. Podem ter sido segundos, mas parecia uma eternidade.
Quando consegui me virar para a outra porta, que estava atrás de mim, percebi que ali havia uma senhora. Usava um lençol como roupa. Ao me ver ela deu um sorriso e logo depois começou a chorar, freneticamente.
Os gritos dela me fizeram despertar. Recuei e me encaminhei para a escada. Apesar de ter feito todo o trajeto até a porta de entrada em questão de segundos, parecia que uma força tentava me prender dentro daquelas paredes.
Quando estava novamente ao ar livre, senti os raios do sol baterem na minha pele, o ar fresco da manhã enchia meus pulmões. Ao mesmo tempo, fui tomado de uma sensação de alívio. Pude ouvir claramente doces vozes me dizendo que estava tudo bem, que eu não pertencia aquele ambiente, mas que deveria fazer tudo ao meu alcance para ajudar aquelas pessoas que eram internadas naquele local. Me mostraram que muitos dos internos precisavam do carinho e da atenção que tínhamos a oferecer.
Acabei descobrindo onde seria realizado o nosso trabalho. Ao final do mesmo, fizemos uma reunião de avaliação e narrei tudo que me ocorreu.
Pude perceber as lágrimas que rolavam nos rostos do restante do grupo, que me agradecia por ter proporcionado a eles uma lição que ficaria para sempre gravada em suas memórias.
Tenham muita luz, paz, harmonia e Amor.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 14 de setembro de 2010.
Passei por uma experiência bastante interessante a aproximadamente 10 anos.
Nesta época eu participava de um grupo que realiza trabalhos voluntários dentro de algumas instituições psiquiátricas e também numa casa prisional.
O primeiro contato que tive com este trabalho aconteceu dentro do Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Por ser feito dentro de instituições, uma das regras é que não podíamos entrar sozinhos nas instituições. Deveríamos esperar que todos os integrantes do grupo estivessem no local para podermos ingressar.
Cheguei no São Pedro no horário marcado. Fiquei no portão esperando pelo restante do grupo. Como já faziam 15 minutos e não tinha sinal dos outros, me dirigi a portaria para saber se eles já estavam por lá. O guarda me informou que estavam lá dentro e que era para eu entrar. Achei estranho, mas entrei mesmo assim.
Por ser a minha primeira visita, estava mais perdido que cego em tiroteio. Havia perguntado em qual dos prédios era o trabalho e o segurança me disse que seria no primeiro prédio.
Como ainda não conhecia o São Pedro, que diga-se de passagem é muito lindo por dentro, fui caminhando lentamente, procurando "sentir" o ambiente.
Ao chegar na porta do prédio, vem a segunda surpresa do dia. Não havia nenhum sinal de vida.
Entrei no edifício. Era um longo corredor, sem iluminação. A única claridade que percebia vinha das portas das diferentes salas e, mesmo assim, eram apenas vestigios da luz do dia que entrava pelas janelas de cada compartimento.
Continuei avançando pelo corredor, ao mesmo tempo em que sentia odores fortes de urina e fezes, que se misturavam a penumbra, também sentia uma Energia extremamente leve me envolvendo. Ao passar pelas duas primeiras salas, que ficam de frente uma da outra, levei um choque. Ambas estavam completamente vazias, sem nenhuma mobilia. Segui adiante e a cena se repetia a cada sala que eu passava. No final do corredor havia uma escadaria que dava acesso ao segundo andar do prédio. Respirei fundo, conversei com meu anjo da guarda e subi os lances de degraus.
O visual no andar superior era praticamente o mesmo do térreo. Outro longo corredor, sem luz.
A esta altura, já sabia que a informação de que o trabalho que realizaríamos no São Pedro não se daria neste prédio, mas a curiosidade me fazia percorrer este andar por completo.
Ao adentrar no corredor, uma sensação muito estranha se apossou de mim. Senti minha espinha se arrepiar completamente. Cada passo que eu dava, fazia com que eu fosse sendo tragado pela escuridão. Parecia que as paredes se movimentavam, de forma parecida ao movimento realizado pelo nosso estômago quando recebe alimento. Continuei em frente, como se estivesse sendo empurrado para o fim do corredor. Passava pelos conjuntos de salas e todas eram iguais, sem móveis e sem nenhuma forma de vida.
Quando estava defronte ao último par de salas, me deparei com uma cena que me chocou tremendamente. Numa das salas estavam 3 pessoas. Todos completamente nús. Um deles falava sem emitir um único ruído sequer. O segundo estava deitado no meio das fezes e urina, em posição fetal. Já o último dos integrantes deste grupo enrolava algo que me pareceu ser grama numa folha de jornal e tentava fazer um palheiro. Me detive na entrada desta sala por um tempo que nem eu mesmo consigo calcular. Podem ter sido segundos, mas parecia uma eternidade.
Quando consegui me virar para a outra porta, que estava atrás de mim, percebi que ali havia uma senhora. Usava um lençol como roupa. Ao me ver ela deu um sorriso e logo depois começou a chorar, freneticamente.
Os gritos dela me fizeram despertar. Recuei e me encaminhei para a escada. Apesar de ter feito todo o trajeto até a porta de entrada em questão de segundos, parecia que uma força tentava me prender dentro daquelas paredes.
Quando estava novamente ao ar livre, senti os raios do sol baterem na minha pele, o ar fresco da manhã enchia meus pulmões. Ao mesmo tempo, fui tomado de uma sensação de alívio. Pude ouvir claramente doces vozes me dizendo que estava tudo bem, que eu não pertencia aquele ambiente, mas que deveria fazer tudo ao meu alcance para ajudar aquelas pessoas que eram internadas naquele local. Me mostraram que muitos dos internos precisavam do carinho e da atenção que tínhamos a oferecer.
Acabei descobrindo onde seria realizado o nosso trabalho. Ao final do mesmo, fizemos uma reunião de avaliação e narrei tudo que me ocorreu.
Pude perceber as lágrimas que rolavam nos rostos do restante do grupo, que me agradecia por ter proporcionado a eles uma lição que ficaria para sempre gravada em suas memórias.
Tenham muita luz, paz, harmonia e Amor.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 14 de setembro de 2010.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Desconstruindo Palavras
Desilusão, preocupação e preconceito.
Pois é. Quantas vezes estas três palavras aparecem no cotidiano de cada um de nós?
A desilusão (des-ilusão) é algo que todo ser humano já passou pelo menos uma vez na vida. Quando separamos ela em duas partes, ou seja, separamos o des da ilusão, percebemos que ela só acontece porque insistimos em nos iludir. Criamos uma imagem de como a coisa (pessoas, empregos, fatos) deveriam ser e, como elas não se enquadram perfeitamente bem na nossa projeção (ilusão), acabamos nos iludindo. Posso citar uma série de exemplos. O político que durante a campanha vai nas vilas/favelas, come em restaurante de 1 real, pega crianças de rua no colo, promete que vai acabar com a fome, a miséria, a corrupção, entre tantos outros males que afligem o povo, só que depois de eleitos, este mesmo político acaba esquecendo das promessas (ilusões) que fez. Jamais volta a pisar numa favela, a não ser que seja para inaugurar alguma obra ou então para tentar a reeleição. Colocaria no mesmo rol as campanhas publicitárias, onde se vincula a imagem de um produto com o sucesso, se beberes tal cerveja vais ser melhor que os outros ou se comprares tal roupa, os homens ao ficar babando por ti. Encheria páginas e mais páginas dando exemplos de ilusões criadas, as quais, na grande maioria dos casos acaba se transformando, mais cedo ou mais tarde, em uma desilusão. Quem nunca se apaixonou por outra pessoa e criou um ser sobrenatural? E a medida que o relacionamento foi se desenrolando, se sentiu desiludido?
Só pode se desiludir quem se iludiu. E aqui queria chamar a atenção para um fato que muitos não se dão conta. Normalmente relacionamos a desilusão a uma coisa ruim, mas não necessariamente tinha que ser. Só que como estamos tão arraigados nos preconceitos, dizemos simplesmente que nos enganamos. Muitos já devem ter passado por esta situação, na qual vamos fazer alguma coisa que não queríamos e depois de feito percebemos que aquilo que fizemos era maravilhoso. Não pensamos que nos desiludimos por achar que aquilo era ruim e vimos que era algo bom, mas se analisarmos friamente, foi exatamente o que aconteceu, uma desilusão positiva.
Já que falei dos preconceitos(pré-conceitos) arraigados, vou aproveitar a deixa. Com quantos preconceitos é formada a nossa visão de Mundo? Quando somos crianças, vários conceitos estabelecidos pelos outros nos são transmitidos como sendo a Verdade Absoluta. Vejamos o caso da visão que existe em muitos países sobre o Brasil. Nós somos o país do carnaval, do futebol e da bunda (mulheres semi-nuas ou nuas, que só valorizam o seu corpo). Será que o Brasil realmente é só isso? Podemos pensar também numa das máximas sobre a política - político é tudo safado. Sei que a grande maioria é, mas não é justo colocarmos todos no mesmo saco.
Ao transmitirmos determinados valores as nossas crianças, estamos criando seres preconceituosos. Falo isso pois já passei por situações em que andava na rua, numa noite quente, de chinelo de dedo, bermuda e camiseta, no sentindo contrário vinha uma mulher (ou mais de uma) e a primeira reação dela(s) ao chegarem mais perto é abraçar a bolsa, com medo de serem roubadas, deixando bem claro que homem de chinelo de dedo, bermuda e camiseta é assaltante/ladrão (pré-conceito).
Muitas vezes estamos cheios destes preconceitos, mas se nos perguntam se somos preconceituosos, dizemos que não, inclusive tendo aqueles "brancos" que dizem que tem muitos amigos negros (quer mais preconceito do que isso?). Por falar nisso, lembrei de uma experiência que passei. Fui almoçar na casa da família de uma ex-namorada. A empregada depois que eu sai perguntou a vó desta ex se ela não achava ruim a guria namorar um negro? Detalhe, ela, a empregada, era negra.
Peço desculpa se não estou sendo politicamente correto, usando negro ao invés de afro-descendente, mas não me preocupo com este detalhe, por achar que ele só cria mais preconceito ainda.
E, por falar em preocupar...rsrsr Ou melhor, pré-ocupar.
Quem nunca se preocupou com algo na vida?
É o filho que sai a noite e a mãe fica acordada até ele voltar, pré-ocupada se ele vai chegar bem, se vai beber muito, com quem anda, onde anda, etc..
Quanto tempo perdemos nos preocupando com coisas? Sendo que normalmente estas preocupações são infundadas. Já sei, vão me dizer que da maneira como as coisas andam, precisamos nos pré-ocupar muito, com tudo. Será mesmo?
Vai adiantar eu perder noites e mais noites de sono, ruminando sobre os problemas ou sobre contas a pagar? Conheço casos em que esta pré-ocupação só piorou a situação, pois a descarga continua de energia tóxica liberada nestas situações enfraqueceu tanto a pessoa que ela adoeceu, perdeu o emprego e acabou, com isso, agravando mais ainda o problema.
Tudo bem, não fomos educados(adestrados) para entender que até mesmo as situações ruins são um aprendizado. Sempre tentaram nos mostrar que a vida é uma novela ou um conto de fadas. Nos transmitiram vários conceitos(pré-conceitos) e ilusões(que viraram des-ilusões), mas não precisamos passar o resto da nossa vida presos aquilo que nos foi dado de herança.
Tenham muita paz, luz, harmonia e Amor em suas vidas.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 10 de setembro de 2010.
Pois é. Quantas vezes estas três palavras aparecem no cotidiano de cada um de nós?
A desilusão (des-ilusão) é algo que todo ser humano já passou pelo menos uma vez na vida. Quando separamos ela em duas partes, ou seja, separamos o des da ilusão, percebemos que ela só acontece porque insistimos em nos iludir. Criamos uma imagem de como a coisa (pessoas, empregos, fatos) deveriam ser e, como elas não se enquadram perfeitamente bem na nossa projeção (ilusão), acabamos nos iludindo. Posso citar uma série de exemplos. O político que durante a campanha vai nas vilas/favelas, come em restaurante de 1 real, pega crianças de rua no colo, promete que vai acabar com a fome, a miséria, a corrupção, entre tantos outros males que afligem o povo, só que depois de eleitos, este mesmo político acaba esquecendo das promessas (ilusões) que fez. Jamais volta a pisar numa favela, a não ser que seja para inaugurar alguma obra ou então para tentar a reeleição. Colocaria no mesmo rol as campanhas publicitárias, onde se vincula a imagem de um produto com o sucesso, se beberes tal cerveja vais ser melhor que os outros ou se comprares tal roupa, os homens ao ficar babando por ti. Encheria páginas e mais páginas dando exemplos de ilusões criadas, as quais, na grande maioria dos casos acaba se transformando, mais cedo ou mais tarde, em uma desilusão. Quem nunca se apaixonou por outra pessoa e criou um ser sobrenatural? E a medida que o relacionamento foi se desenrolando, se sentiu desiludido?
Só pode se desiludir quem se iludiu. E aqui queria chamar a atenção para um fato que muitos não se dão conta. Normalmente relacionamos a desilusão a uma coisa ruim, mas não necessariamente tinha que ser. Só que como estamos tão arraigados nos preconceitos, dizemos simplesmente que nos enganamos. Muitos já devem ter passado por esta situação, na qual vamos fazer alguma coisa que não queríamos e depois de feito percebemos que aquilo que fizemos era maravilhoso. Não pensamos que nos desiludimos por achar que aquilo era ruim e vimos que era algo bom, mas se analisarmos friamente, foi exatamente o que aconteceu, uma desilusão positiva.
Já que falei dos preconceitos(pré-conceitos) arraigados, vou aproveitar a deixa. Com quantos preconceitos é formada a nossa visão de Mundo? Quando somos crianças, vários conceitos estabelecidos pelos outros nos são transmitidos como sendo a Verdade Absoluta. Vejamos o caso da visão que existe em muitos países sobre o Brasil. Nós somos o país do carnaval, do futebol e da bunda (mulheres semi-nuas ou nuas, que só valorizam o seu corpo). Será que o Brasil realmente é só isso? Podemos pensar também numa das máximas sobre a política - político é tudo safado. Sei que a grande maioria é, mas não é justo colocarmos todos no mesmo saco.
Ao transmitirmos determinados valores as nossas crianças, estamos criando seres preconceituosos. Falo isso pois já passei por situações em que andava na rua, numa noite quente, de chinelo de dedo, bermuda e camiseta, no sentindo contrário vinha uma mulher (ou mais de uma) e a primeira reação dela(s) ao chegarem mais perto é abraçar a bolsa, com medo de serem roubadas, deixando bem claro que homem de chinelo de dedo, bermuda e camiseta é assaltante/ladrão (pré-conceito).
Muitas vezes estamos cheios destes preconceitos, mas se nos perguntam se somos preconceituosos, dizemos que não, inclusive tendo aqueles "brancos" que dizem que tem muitos amigos negros (quer mais preconceito do que isso?). Por falar nisso, lembrei de uma experiência que passei. Fui almoçar na casa da família de uma ex-namorada. A empregada depois que eu sai perguntou a vó desta ex se ela não achava ruim a guria namorar um negro? Detalhe, ela, a empregada, era negra.
Peço desculpa se não estou sendo politicamente correto, usando negro ao invés de afro-descendente, mas não me preocupo com este detalhe, por achar que ele só cria mais preconceito ainda.
E, por falar em preocupar...rsrsr Ou melhor, pré-ocupar.
Quem nunca se preocupou com algo na vida?
É o filho que sai a noite e a mãe fica acordada até ele voltar, pré-ocupada se ele vai chegar bem, se vai beber muito, com quem anda, onde anda, etc..
Quanto tempo perdemos nos preocupando com coisas? Sendo que normalmente estas preocupações são infundadas. Já sei, vão me dizer que da maneira como as coisas andam, precisamos nos pré-ocupar muito, com tudo. Será mesmo?
Vai adiantar eu perder noites e mais noites de sono, ruminando sobre os problemas ou sobre contas a pagar? Conheço casos em que esta pré-ocupação só piorou a situação, pois a descarga continua de energia tóxica liberada nestas situações enfraqueceu tanto a pessoa que ela adoeceu, perdeu o emprego e acabou, com isso, agravando mais ainda o problema.
Tudo bem, não fomos educados(adestrados) para entender que até mesmo as situações ruins são um aprendizado. Sempre tentaram nos mostrar que a vida é uma novela ou um conto de fadas. Nos transmitiram vários conceitos(pré-conceitos) e ilusões(que viraram des-ilusões), mas não precisamos passar o resto da nossa vida presos aquilo que nos foi dado de herança.
Tenham muita paz, luz, harmonia e Amor em suas vidas.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 10 de setembro de 2010.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Divagando sobre Eu mesmo
Me aconteceu algo muito interessante esta madrugada. Tive um sonho que está me fazendo entender muitas coisas da minha vida.
Prefiro não comentar sobre o sonho, mas sinto a necessidade de colocar para fora os insights que surgiram depois dele.
Estava tomando banho e comecei a lembrar de fatos do passado, coisas da minha infância, da adolescência e o início da minha fase adulta, é claro que com isso, abriu-se a porta que me deu acesso até o dia de hoje.
Com as lembranças, me veio a explicação do porque de eu ser tão crítico em relação aos costumes e hábitos.
Durante a infância, criei uma figura que se transformou num super-herói. Nesta fase praticamente todo ser humano tem uma figura humana que ele considera como o seu super-herói. No meu caso esta figura se apresentava no meu pai.
Já na adolescência, com alguns acontecimentos que me fizeram ficar extremamente triste, perdido e desamparado, precisei criar um outro personagem, só que neste caso, além de ser o roteirista,também assumi o papel de protagonista. Passei a ser o super-vilão. Aquele que tinha que combater o super-herói e, consequentemente, todos os super-heróis do Mundo (sistema político, sistema financeiro, materialismo,...).
Como "bandido", necessitava chocar a grande maioria, cometer meus "crimes" e, assim, desafiar as "leis".
Sei que algumas pessoas ao lerem isto vão discordar, vão pensar que sou bonzinho, que penso nos outros, que ajudo. Mas eu poderia fazer tudo isso sem precisar atacar os conceitos aceitos e praticados pela maioria das pessoas.
Percebi que para se construir uma nova base, não precisamos necessariamente destruir tudo o que existia antes. Podemos aproveitar muito do material já existente, reforçando a estrutura com coisas novas.
Poderia ter invertido os papéis, colocado os outros como os vilões e eu como o mocinho, só que se eu fizesse isso, estaria perdendo uma parte do ambiente que se descortinou na minha frente.
Magoei algumas pessoas, principalmente aquelas que estavam mais próximas, que mais me deram Amor. Fiz isso na maior parte das vezes de forma inconsciente, agindo como normalmente agimos, pois na grande maioria dos casos acabamos "atacando" as pessoas que sabemos que mais facilmente vão nos perdoar. Só que em diferentes oportunidades acabei agindo para chocar mesmo, intencionalmente, querendo ferir.
Peço desculpas pelos danos causados aos outros e, principalmente, peço perdão a mim mesmo por ter vivido este personagem durante tanto tempo.
Sempre procurei justificar a minha forma de ser usando os erros que outros cometeram no meu passado. Hoje percebi que o único erro foi eu ter acreditado que precisava me vingar e, não somente de quem errou, mas de tudo aquilo que representa o Poder.
Sinto como se tivesse tirado um peso enorme dos meus ombros. Sei que terei que me esforçar bastante para voltar ao meu caminho, mas também sei que o fato de não usar mais um personagem para seguir adiante, de poder ser realmente Eu mesmo, vai facilitar bastante o restante da jornada que tenho neste corpo físico.
Agradeço profundamente a todos aqueles que fizeram e fazem parte da minha vida.
Desejo muita luz, paz, harmonia e Amor sempre.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 7 de setembro de 2010
Prefiro não comentar sobre o sonho, mas sinto a necessidade de colocar para fora os insights que surgiram depois dele.
Estava tomando banho e comecei a lembrar de fatos do passado, coisas da minha infância, da adolescência e o início da minha fase adulta, é claro que com isso, abriu-se a porta que me deu acesso até o dia de hoje.
Com as lembranças, me veio a explicação do porque de eu ser tão crítico em relação aos costumes e hábitos.
Durante a infância, criei uma figura que se transformou num super-herói. Nesta fase praticamente todo ser humano tem uma figura humana que ele considera como o seu super-herói. No meu caso esta figura se apresentava no meu pai.
Já na adolescência, com alguns acontecimentos que me fizeram ficar extremamente triste, perdido e desamparado, precisei criar um outro personagem, só que neste caso, além de ser o roteirista,também assumi o papel de protagonista. Passei a ser o super-vilão. Aquele que tinha que combater o super-herói e, consequentemente, todos os super-heróis do Mundo (sistema político, sistema financeiro, materialismo,...).
Como "bandido", necessitava chocar a grande maioria, cometer meus "crimes" e, assim, desafiar as "leis".
Sei que algumas pessoas ao lerem isto vão discordar, vão pensar que sou bonzinho, que penso nos outros, que ajudo. Mas eu poderia fazer tudo isso sem precisar atacar os conceitos aceitos e praticados pela maioria das pessoas.
Percebi que para se construir uma nova base, não precisamos necessariamente destruir tudo o que existia antes. Podemos aproveitar muito do material já existente, reforçando a estrutura com coisas novas.
Poderia ter invertido os papéis, colocado os outros como os vilões e eu como o mocinho, só que se eu fizesse isso, estaria perdendo uma parte do ambiente que se descortinou na minha frente.
Magoei algumas pessoas, principalmente aquelas que estavam mais próximas, que mais me deram Amor. Fiz isso na maior parte das vezes de forma inconsciente, agindo como normalmente agimos, pois na grande maioria dos casos acabamos "atacando" as pessoas que sabemos que mais facilmente vão nos perdoar. Só que em diferentes oportunidades acabei agindo para chocar mesmo, intencionalmente, querendo ferir.
Peço desculpas pelos danos causados aos outros e, principalmente, peço perdão a mim mesmo por ter vivido este personagem durante tanto tempo.
Sempre procurei justificar a minha forma de ser usando os erros que outros cometeram no meu passado. Hoje percebi que o único erro foi eu ter acreditado que precisava me vingar e, não somente de quem errou, mas de tudo aquilo que representa o Poder.
Sinto como se tivesse tirado um peso enorme dos meus ombros. Sei que terei que me esforçar bastante para voltar ao meu caminho, mas também sei que o fato de não usar mais um personagem para seguir adiante, de poder ser realmente Eu mesmo, vai facilitar bastante o restante da jornada que tenho neste corpo físico.
Agradeço profundamente a todos aqueles que fizeram e fazem parte da minha vida.
Desejo muita luz, paz, harmonia e Amor sempre.
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 7 de setembro de 2010
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