quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Divagando pessoas "transformadores".

Ao mesmo tempo em que todos somos iguais, carregamos características peculiares.
Sei que algumas pessoas se chocam quando eu acabo "explodindo" ou faço determinadas críticas. Mas não conseguem analisar a situação num contexto mais amplo.
Tem pessoas que acabam se transformando em "esponjas" por terem uma mediunidade desregrada, mas existem pessoas que trazem como missão puxarem energias densas para transmutá-las, deixando uma carga menos pesada para os outros.
Nos últimos anos, por um motivo de evolução, muita coisa ruim tem vindo a tona para poder ser limpa. Vemos manifestações cada vez mais raivosas em todos os ambitos. Seja na disputa pelo poder político, seja a violência crescente gerada pela desigualdade social, seja pela intolerância religiosa ou seja entre as classes que se acham vítimas de preconceitos e que passaram a atacar aqueles que eles consideram seus algozes, é perceptível que a vibração energética está ficando extremamente densa, pesada.
Por mais que muitos estejam "acordando", mudando seus padrões vibracionais, a situação  está caótica, e se não houvessem estes sujeitos "transformadores", que captam vibrações densas e as tornam mais sutis, tenho certeza que a coisa seria bem pior.
Tenho muitos contatos da área holística e, infelizmente, a grande maioria ainda não se deu conta de que estas pessoas são necessárias, que se estes seguirem a dica de fechar seu campo para não absorver estas vibrações mais baixas, iríamos mergulhar num abismo tão profundo que talvez nem conseguíssemos sair dele.
Estas pessoas "transformadores" atualmente estão ficando sobrecarregadas, pois a carga que eles estão tendo que transmutar tem ficado cada vez mais pesada, principalmente em épocas como o período eleitoral, onde o ódio contra o adversário tem assumido proporções gigantescas, e que infelizmente aqui no Brasil parece que ainda não terminou, assim como acontece no carnaval, que apesar de ter ares de festividade, carrega uma energia de promiscuidade regada ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras substâncias, acabam afetando estes em todos os níveis (físico, mental e espiritual).
Como a maioria das pessoas ainda não se conhece profundamente, e acabam apresentando "sintomas" que podem ser confundidos com depressão, hiperatividade e bipolaridade entre outros, acabam partindo atrás de tratamentos alopáticos que mais prejudicam do que os ajudam, uma vez que apenas mascaram a realidade do indivíduo.
Quando escrevo sobre este tipo de tema não é, como já me disseram várias vezes, uma tentativa de ser especial ou de ser diferente dos outros, mas sim o modo que eu encontro de tentar ajudar outras pessoas a compreenderem que o uso indiscriminado de fórmulas prontas pode em alguns casos prejudicar mais do que realmente ajudar quem passa por esta situação.

Carlos Eduardo

Bagé, 18 de fevereiro de 2015.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Divagando o respeito.

Seguido vejo pessoas com mais idade relembrando de como era a vida antigamente. Normalmente as recordações vem acompanhadas do pensamento de que era tudo uma maravilha e muito melhor quando comparado aos dias de hoje.
Falam dos valores morais elevados como se de uma hora para outra houvessem caído num abismo em que tudo se perdeu.
Mas, sinceramente, será que era assim mesmo?
Existia respeito verdadeiro ou este foi conquistado através da força e da tortura psicológica?
As crianças eram submissas aos mais velhos, o que deixava a impressão de haver respeito. Olhando mais a fundo fica claro que era apenas uma força hierárquica, uma imposição de valores e o consequente adestramento para que este conceito fosse aceito. Aqueles que fugissem do padrão comportamental exigido seriam castigados. Se faziam distinções bem claras entre quem mandava e quem deveria obedecer.
Muitos dos que sentem falta do passado são os fomentadores da radical mudança que vemos hoje. Se antes era preciso se submeter, hoje existe uma batalha para provar quem tem mais valor. Não existe aceitação do que foi imposto como norma e vemos uma rebeldia que em muitos momentos se torna violenta, como se aqueles anos de opressão tivessem criado vida própria e estivessem se manifestando com toda sua força neste momento.
As condutas impostas alimentaram esta rebeldia. O não querer ser ou fazer igual aos nossos antepassados nos fez ir para o outro extremo. Todos os velhos valores precisam ser combatidos e massacrados. Os oprimidos querem vingança e se transformam em algozes, procurando punir os mais velhos.
E o pior de tudo é que isto acontece sem que a maioria se de conta.O inconsciente coletivo tenta reparar aquilo que considera errado, fomentando uma ruptura total com tais padrões. Se antes existia uma forte opressão, hoje a permissividade toma conta.  Aquilo que chocava passa a ser natural. Formas-pensamento se moldam, criando uma realidade oposta ao que existia.
A falta de compreensão da nossa natureza nos leva a ficar indo de um extremo ao outro. Não conseguimos estabelecer uma relação de companheirismo, de aprendizado mútuo, de harmonia e, consequentemente, de respeito, pois ainda estamos preocupados em provar qual dos extremos é o melhor. A competitividade continua sendo mais forte do que a coletividade. Nosso ego ainda precisa se alimentar do poder que a sensação de ser o melhor nos dá. Só que não pode existir um vencedor sem que hajam perdedores, e isto continua alimentando a competitividade.

Bagé, 15 de fevereiro de 2015.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Divagando Relações

Vejo muita gente reclamando das suas relações, sejam pessoais, familiares ou amorosas.
Existe uma crença, quando o assunto é relacionamento amoroso, de que devemos nos relacionar com uma única pessoa, mas será que isso é assim mesmo?
Gosto muito de comparar nossas ligações como sendo um quebra-cabeça.
A menos que seja um daqueles fabricados para crianças de 1 ano de idade, o restante tem mais de duas peças, o que significa que existe mais do que um único encaixe.
Nosso planeta tem alguns bilhões de habitantes, então seria justo afirmar que somente uma se encaixa com a gente? Que apenas uma merece dividir momentos conosco? Que estamos energeticamente conectados com um único ser?  Honestamente, acho que isso é uma visão extremamente simplista.
Num quebra-cabeça mesmo as peças que ficam nas extremidades precisam de pelo menos dois encaixes para ficarem fixas no seu lugar.
Somos extremamente possessivos com relação aqueles que nos cercam, principalmente quando temos uma relação "amorosa". O sistema nos leva a crer que somente relações monogâmicas devem existir, mesmo que este mesmo sistema aceite como algo natural as pessoas terem amantes, o que é uma enorme contradição.
Fala-se em traição, em respeito, em falta de amor, mas eu vejo é uma escravização dos sentimentos.
Se pegarmos o casal padrão de beleza, Angelina Jolie e Brad Pitt, e colocarmos um casal comum a assistir um filme deles, normalmente temos a seguinte situação: o marido, ama sua esposa, é feliz com ela, mas comete a asneira de comentar que a Jolie é gostosa já recebe cara feia, quando não é xingado pela sua cara-metade, já a esposa suspira toda vez que o Brad aparece sem camisa, ou numa cena mais picante e o homem se sente atingido. Aí vejo alguns comentarem que isso não é traição porque o casal modelo é algo que está fora do alcance, mas mesmo assim um fica com ciúme do outro. E isso que nem é deste tipo de ligação que estou falando, mas que cai como uma luva em termos comparativos.
Só que existem muitas pessoas que nos tocam de forma diferente, que sentimos algo mais forte além de tesão, paixão. Que mesmo quando amamos profundamente a pessoa que está com a gente, não deixam de nos fazer sentir uma coisa intensa, uma energia que nos deixa mais vivos. Mas que pelos "pré"-conceitos sociais temos que abafar isso ou vivermos esta relação com o rótulo de amantes. Mas é possível sim que continuemos amando e respeitando nosso par e nos sintamos mexidos por outras pessoas. E, no meu entendimento, deixar de viver esta nova conexão sim é trair, é não respeitar aquela pessoa que escolhemos para estar com a gente, pois acabamos responsabilizando o outro por termos que abrir mão de algo tão lindo.
Sei que muita gente vai achar que prego a promiscuidade e só posso dizer que é lamentável esta forma de pensar, pois não digo que devemos sair por ai transando com toda as mulheres gostosas ou homens bonitos que cruzam nosso caminho, mas sim que devemos respeitar o que nosso coração nos mostra, ou então teremos que viver numa relação que ficará pesada devido as cobranças por termos que abandonar nosso próprio Eu.
Santos, 20 de janeiro de 2015.
Carlos Eduardo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Divagando sobre coincidências (sincronismo)

Desde fevereiro deste ano uma série de coincidências(sincronismo) vem acontecendo de forma rotineira na minha vida. Comecei a notar isto no dia 18 de fevereiro. Neste dia eu comecei a dar andamento num projeto para trabalhar com crianças carentes. Reuni um grupo de filhos de conhecidos para "testar" tal projeto, de forma totalmente gratuita e, exatamente neste dia, aconteceu de eu ir fazer compras e ser premiado com um pãozinho contendo um pelo, o que deverá me render uma indenização de uma rede de supermercados.
Já para o final de março, estando com viagem marcada, meu pai me deu um livro para ler durante a viagem, chamado Atlântida - No reino das sombras (Roger Bottini Paranhos), livro que eu já havia lido duas vezes e que reli em 4 dias, antes de viajar. Ao chegar aqui em Santos me deparo com um livro de outro autor (Róbson Pinheiro) intitulado Senhores da Escuridão que, até onde já li, está diretamente ligado ao livro citado antes.
No dia 8 de abril, tive um pesadelo (na verdade seria uma experiência extrafísica, pois eu acordei mas não conseguia sair daquele estado de torpor). Ao mesmo tempo, comecei a sentir como se o tempo estivesse acelerado, mas ao olhar o relógio, as horas passavam de forma "normal". Esta "sensação" de aceleração temporal tem se repetido nas noites posteriores e em alguns momentos durante o dia.
Tenho acordado bem mais cedo que o meu normal. E hoje, ao acordar, fui ler meus e-mails e recebi um que fala sobre o eclipse lunar total que ocorrerá no dia 15 deste mês (exatamente uma semana após tal "pesadelo"). Este e-mail descreve este eclipse como o início de um novo processo na vida do Planeta, que será marcado pela entrada uma nova vibração energética na Terra.
Mesmo sabendo que muitas pessoas irão dizer que isso tudo que relatei são "viagens" da minha cabeça ou, como já me disseram, são a minha mania de ver coisas sobrenaturais aonde não existe, não posso deixar de pensar que tudo está intrinsecamente conectado.
Talvez ao relatar tais "coincidências" eu esteja na verdade buscando outras pessoas que possam estar passando por um processo de sincronismo semelhante.
Sinto que as crescentes crises ao redor do mundo, vide as quebradeiras e greves que ocorrem no Brasil, o terremoto no Chile, a possibilidade de guerra na Ucrânia (que pode ser o estopim para a 3ª guerra mundial), os casos de corrupção espalhados pelo globo, o bebê de 9 meses acusado de assassinato no Paquistão, fazem parte da depuração energética que estamos atravessando, ou como diria a Bíblia, a separação do joio do trigo.
Posso estar enganado, mas algo me diz que estamos prestes a vivenciar fatos que marcarão profundamente a história da humanidade no Planeta Terra.
Tenhamos muita paz, luz, Amor e harmonia.
Carlos Eduardo.

Santos, 10 de abril de 2014.

sábado, 22 de março de 2014

Divagando a alienação do Ser Integral.

As grandes revoluções tecnológicas surgem sempre com o intuito de facilitar a vida das pessoas, mas cada vez mais estes facilitadores servem para corromper a unidade do Ser.
Posso dizer que sou abençoado por pertencer a última geração que na infância ainda tinha os brinquedos como companheiros.
Quando os adultos se visitavam, as crianças eram mandadas para brincar com os outros, até algum tempo atrás eles eram convidados para uma disputa no videogame e hoje em dia eles ficam sentados com os fones enfiados no ouvido, jogando ou nas redes sociais.
Lembro que entre o telejogo (acredito ter sido o primeiro videogame criado), uma espécie de jogo de tênis onde cada "atleta" era um traço na tela e a bola um quadrado, e que só tinha este jogo, e ir jogar bola, brincar com os bonecos e carrinhos, rabiscar livros de colorir, o telejogo ficava como última escolha, até porque como era ligado na televisão e pouquíssimas famílias tinham mais do que uma em casa, a concorrência quase sempre era vencida pelos adultos. Isso já na metade final dos anos 70.
Algum membro adulto da família normalmente ficava em casa, sendo o responsável por cuidar e educar as crianças, babas e domésticas eram exceções.
O brincar com os irmãos e amigos era mais interativo e agregador. Mesmo quando haviam disputas (taco, futebol, vôlei, botão, guerrinha de funda, ...), assim que acabava rolava aquela deitação sadia nos perdedores.
Por não existir um acesso facilitado as televisões, criávamos brinquedos, carrinhos feitos de lata de azeite, lanternas com uma lata e uma vela para explorar as obras do bairro, carrinhos de rolimã, até a bola muitas vezes era feita com jornal e outro objetos que preenchiam uma meia.
Com o advento dos videogames, os jogos eletrônicos ganharam um novo fator, a violência.
Tu tinhas 3 vidas, o que na vida real não existe. Tu matavas o teu "inimigo" no jogo e quando tu começavas o jogo novamente ele estava vivo, assim como tu podias morrer várias vezes, mas sempre estavas vivo. Mesmo que muita gente diga que não, este conceito de múltiplas vidas vai se incorporando a personalidade da criança, ainda mais nos dias atuais em que elas praticamente já nascem vendo este tipo de coisas nos desenhos e outros programas que lhes são empurrados pelas "babás modernas".
A revolução feminina, com as mulheres deixando de ser do lar, para irem buscar uma profissão fez com que o porto seguro das crianças fosse transferido dos "adultos" familiares (normalmente mãe, avó, tia ou prima eram quem cuidavam das crianças) para pessoas estranhas (empregada/baba, escolinhas cada vez mais cedo, ...) e/ou para os meios audiovisuais (televisão, videogame, computador, smartphone).
Pelo lado positivo, os pequenos passaram a conviver desde cedo com um "mundo" mais amplo de ideias e possibilidades, mas como contraponto, eles perderam a ancoragem do Ser Infantil, de aproveitar a fase do brincar, do experimentar/criar. Quase tudo que chega até eles vem pronto, sendo que as propagandas e o merchandising praticamente ditam o que tu deves ou não fazer para seres do grupo dos melhores.
Com o distanciamento entre os pais e os filhos pequenos, estes últimos passaram a ser fortemente influenciados pelas mídias. O que antes era feito de forma velada (nos filmes em preto e branco não se via sangue se o filme não fosse de terror) passou a ser praticado de forma aberta. Games, filmes, novelas e revistas ficaram cada vez mais "sensacionalistas", tentando aproximar cada vez mais o seu produto da realidade física. Violência, sangue, pancadaria, falcatruas, extorsão, nudez, baixaria vão sendo enfiados no cotidiano das crianças, roubando sua inocência, criando um vácuo moral na ligação entre o mundo exterior e o Ser Interior delas.
A necessidade do ter que o mundo exterior prega aliada ao inconsciente desejo dos pais compensarem a sua ausência dando presentes, torna os pequenos em objetos consumidores. Os produtos preenchem a lacuna que o convívio familiar deixa. O Amor da família é trocado pelo "calor", mesmo que frio, do mundo virtual. Esta troca gera nos adultos uma enorme carência afetiva, que muitas vezes se tenta suprir com os "pets".
Percebo que nestes 41 anos que vivi houve um aumento na violência entre humanos, contra animais, da pobreza, da miséria, da desigualdade, um distanciamento cada vez maior das pessoas, uma fome crescente de poder/ter, os danos ao meio ambiente, a degradação moral/ética, o uso de drogas sociais/prescritas, enfim, uma alienação quase que total do Ser Integral.
Agora eu pergunto: Vale mesmo a pena?
Porto Alegre, 22 de março de 2014.

Carlos Eduardo.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Divagando a prosperidade.


Quanto você estaria disposto a pagar para ser próspero?
Hoje, quando acordei, esta pergunta estava gravada em mim.
Vejo tanta gente vendendo a fórmula da prosperidade em livros, palestras e workshops, que acabo duvidando que saibam o que é ser próspero.
Prosperidade não é sinônimo de dinheiro, riqueza, bens materiais, mesa farta, viagens, roupas de grife, um emprego que pague bem, mansões, carros,... Prosperidade é um estado de espírito onde a Energia Universal flui livremente através do Ser, sem amarras físicas. É um dar e receber constante, abrindo cada vez mais nosso canal com o Todo.
Próspero não é o que mais tem, mas sim aquele que mais doa.
Doar é Amar. É expandir sua energia atingido outros seres da criação. É levar luz e calor em troca de um sorriso, de uma lambida ou do colorido da natureza.
A prosperidade se manifesta na vibração do nosso Ser, nos tornando leves, saudáveis e felizes. Ela está no desapego e no sentir com intensidade.
É quando nos permitimos estar tristes ou felizes e, mesmo assim, sabemos que daqui a pouco tudo vai mudar. É dar o seu melhor e entregar o resto.
Somos um campo infinito de possibilidades que pode fluir livremente, mas nos prendemos no material. Escolhemos esta forma para poder aprender a nos desapegar, a trabalhar nossa ganância, o egoísmo, o Amor incondicional.
Prosperidade não é um bem e sim uma forma-pensamento, um agregado de energia que flui livremente. Esta forma procura sempre trazer mais colorido a Vida de todos, mesmo que seja por “caminhos tortos”.
Seja próspero seguindo seu “CORAÇÃO”!!!
Carlos Eduardo
Porto Alegre, 12 de janeiro de 2014.


Cerro de Bagé - Luzes da cidade no início da noite.

sábado, 28 de setembro de 2013

Divagando energias.

Tem momentos em que pareço ausente, distante. Mas na verdade estou organizando a casa.
Durante o dia muita coisa vai sendo acumulada, bem mais do que realmente somos capazes de processar. Sensações do contato com pessoas, ambientes, sons, cores, cheiros, energias as mais variadas e nas mais diferentes nuances.
Toda esta carga nos afeta, perturbando o nosso senso de realidade. Para cada estímulo externo existe uma reação interna correspondente.
Quando temos uma forma de ser/energia expansivo se torna maior a quantidade de vibrações exteriores que captamos, pois ao ampliarmos o alcance vibracional do nosso campo energético aumentamos a superfície de contato para interferências.
Dificilmente conseguimos manter nossa casa 100% limpa. O dia a dia vai deixando acumulo de poeira nos móveis, os vidros sujam. Mesmo que diariamente façamos pequenas limpezas, chega um momento que precisamos dar uma faxina geral.
Nosso Ser também se comporta assim. Por mais que usemos técnicas de proteção, sempre vamos captar energias “sujas” que vão sendo acumuladas. Podemos fazer assepcias diárias, mas chega um momento que precisamos dar aquela geral. Esvaziar gavetas, armários e limpar e separar coisa por coisa. Desfazer-nos do que é lixo, reciclar o que for possível, devolver aquilo que não nos pertence e, principalmente, demonstrar gratidão por cada coisa que ali está.
Nestas limpezas é que realmente vamos colocar nossa casa interior em ordem.
À medida que começamos este processo, o físico tende a se manifestar, pois estamos saindo da zona de conforto/proteção. Mesmo que o estado anterior gerasse desconforto, sendo que em casos extremos pode trazer doenças graves que levam ao óbito, este era um estado conhecido, portanto, administrável.
Terão momentos de Indiana Jones nos quais vamos nos deparar com cobras, lagartos e fantasmas, mas que reencontraremos tesouros que estavam perdidos.
Percebemos quanto lixo carregámos sem notar, quantos (pré)conceitos estão arraigados no nosso subconsciente sem que nos demos conta deles, quantas dores e angústias absorvemos dos outros, quantas cobranças indevidas nos fazemos, quanto tempo perdemos com o que não importa e quanto tempo deixamos de investir naquilo que realmente nos faz bem.
E assim nos libertamos de muitas cargas extras e desnecessárias, abrindo espaço para novas vibrações.

Porto Alegre, 28 de setembro de 2013.

Carlos Eduardo


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Divagando borboletas e outros bichos.

Para alguns povos, nós humanos estamos ligados a determinados estereótipos naturais.
Estes procuram na natureza as características de cada criatura, traçando um perfil da “persona” de cada espécie.
As corujas trazem o dom de ver aquilo que está oculto, de enxergar no escuro. Além do livre trânsito entre os dois mundos (dia/noite).
De alguma forma estou num período de borboleta.
A lagarta precisa abrir mão dos estímulos externos, se fechar num casulo para poder deixar que a borboleta surja. Ela tem consciência que precisa se interiorizar e “morrer” para poder renascer transformada.
É um processo doloroso e individual.
Se tentarmos ajudar rompendo o casulo, a borboleta fica sem força nas asas, virando um alvo fácil.
Quando ela mesma se desfaz daquela casca, fortalece suas asas (personalidade), adquirindo a capacidade de voar para lugares distantes.
A natureza é sábia. Tudo nela contém em si só um significado simbólico. Quer sejam as quatro estações do ano, as fases da lua, os ciclos das marés, a migração de animais, as interações vibracionais de determinados minerais, o ciclo reprodutivo de plantas, simplesmente tudo representa a natureza humana. Não seguindo fórmulas rígidas de semelhança, mas adaptadas às sutilezas de cada situação.
Como parte integrante desta força maior, também estamos ligados a estes diferentes simbolismos, independente de nossos conceitos e “pré”conceitos, sendo atingidos por eles nos diferentes níveis de nossa existência.
Por mais céticos ou crentes que sejamos, acho que uma coisa é clara para qualquer visão: O que está no alto é como o que está em baixo – o micro e o macro são representações semelhantes em diferentes escalas, da estrutura atômica a formatação do universo.

Carlos Eduardo

Porto Alegre, 17 de agosto de 2013


sábado, 6 de julho de 2013

Divagando felicidade.

A felicidade é um dos sentimentos mais interessantes que eu conheço.
Muitos dizem que ela não entra em portas fechadas, mas eu discordo. Enquanto sentimento ela vem de dentro, consequentemente ela não precisa entrar, mas sim encontrar uma brecha para poder sair.
Tem dias que ela pode estar fantasiada de criança, passar correndo e meter o dedo na campainha, para depois se esconder. Mas ela também pode aparecer de surpresa, como um sorriso tímido, de canto de boca, daqueles que se dá quando alguém especial cruza nosso caminho e não conseguimos reagir de forma mais natural.
Conheço gente que corre atrás dela e não percebe que isso a assusta, fazendo com que ela fuja para mais longe ainda.
Vejo pessoas buscando a felicidade em salas cirúrgicas, tendo um recheio de botox, silicone ou retirando gorduras localizadas, só que como ficam irreconhecíveis para a mesma, esta para, olha e segue adiante, procurando pelo Eu que foi modificado pelos bisturis.
As pessoas que mantém um relacionamento íntimo com a felicidade não saem por aí gritando aos quatro cantos esta relação. Normalmente se percebe pelo sorriso franco, pelo olhar iluminado, pela energia envolvente e cativante que se expande e atinge aqueles que estiverem ao redor.
Se alguém sair por aí anunciando a felicidade desconfie, pois até onde sei ela é como uma amante, que prefere ser acarinhada no anonimato, ser curtida sem rompantes extraordinários, discretamente e os gritos e comemorações a fazem fugir, deixando em seu lugar uma cova rasa onde ela não quis ser enterrada.

Carlos Eduardo.

Porto Alegre, 6 de julho de 2013.

Tenham sempre muita luz, paz, harmonia e Amor.


domingo, 16 de junho de 2013

Divagando sobre política.

Lembro que na faculdade tive um professor, acho que era de EPB, que no primeiro dia de aula, após se apresentar, parou na frente da turma e soltou uma pérola:
“Na minha cadeira ninguém tira 10. Este só eu e Deus”.
A primeira prova, em grupo, foi baseada num livro que o próprio professor havia escrito. Acho que li umas cinco vezes. Tiramos o 10.
Vejo tanta gente falando em politicagem e pensando que isso é política.
Por mais romântica que pareça esta definição, ainda acho que seja a melhor em termos significativos do que é política.
“É a arte de nos relacionarmos nas Polis (cidades)”.
Política é a convivência social, e não a defesa de interesses menores.
O que nossos politiqueiros profissionais fazem é a anti-política, uma vez que buscam beneficiar meia dúzia em detrimento de milhares.
A arte política legítima passa bem longe daquilo que é praticado pelos nossos partidos, independente de sigla ou orientação.
Como ainda somos imaturos, deixamos que este coronelismo escravocrata fantasiado de república democrática seja possível. Ao apoiarmos os atuais partidos estamos concordando com este jogo de barganhas, onde os prejudicados sempre são os mesmos, o povo.
Para vermos o nível crítico instaurado nos meandros políticos o grupo que não está no governo se denomina “oposição”, ou seja, eles são contra o próprio povo, uma vez que fazem de tudo para prejudicar quem está no poder, simplesmente para nivelar por baixo a avaliação do governo. Sem falar que dentro dos próprios partidos existem facções contrárias.
Quando vejo tudo isso e as pessoas morrendo por falta de hospitais, a educação caindo cada vez mais, alguns pedaços de estradas no meio dos buracos, a situação do sertão nordestino com a seca enquanto muitos outros lugares passam problemas com as enchentes e a quantidade cada vez maior de desvios de dinheiro público eu me pergunto.
Será que realmente fazemos política?

Carlos Eduardo

Porto Alegre, 16 de junho de 2013.




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Divagando dúvidas.

Dizem que a vida é uma escola, mas esquecem de dizer que o diploma de conclusão de curso tem como nome atestado de óbito.
Sim, por mais chocante que seja só nos formamos quando deixamos este corpo carnal. Ao nos despirmos deste invólucro, adicionamos mais um título ao nosso currículo, nos fazendo subir ou não os degraus da escala evolutiva.
Isso é tudo que levamos daqui. Nossas vivências. A forma como lidamos com os obstáculos, o nosso poder de doação, o modo com que lidamos com os outros, a nossa integração com a natureza, nossos medos enfrentados e não enfrentados.
Mas como é uma escola, ainda acreditamos que podemos enganar o professor. Copiamos o dever de casa, o que já é triste. Mas vejo gente fazendo pior que isso. Vejo alguns vendendo o dever de casa pronto, só que vendem o seu dever de casa, que não corresponde ao dever de casa do outro.
A comercialização de fórmulas prontas para a prosperidade é um dos pontos que deixam muitos desconfiados com o movimento da nova era. São tantos livros, workshops, terapias e cursos, a preços tão elevados, que deixam algumas dúvidas no ar:

- Haverá uma adequação entre valor e propósito com o passar do tempo ou ainda estaremos atrelados ao modismo?
- Pessoas carentes, indigentes e necessitados não merecem ter acesso às fórmulas da prosperidade?
- Este mercantilismo não vai contra um dos preceitos da prosperidade que diz que quanto mais “damos” (não vendemos), mais recebemos?
- Qual o verdadeiro objetivo, ajudar as pessoas a evoluírem ou ganhar dinheiro?

Entendo que precisamos pagar contas, manter um lar e nossas necessidades. Que em muitos casos existem outras pessoas envolvidas que necessitam de pagamento também, enfim, que temos gastos envolvidos com tudo que nos cerca. Mas acredito que o mercantilismo exagerado acaba levando ao descrédito, uma vez que colocamos o material à frente do espiritual/energético.

Carlos Eduardo

Porto Alegre, 15 de junho de 2013.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Divagando um sonho.

É estranha a forma que nosso inconsciente funciona.
Já tinha um bom  tempo que não conseguia me lembrar dos meus sonhos e hoje acordo durante um e lembro de muitos detalhes.
Estou eu e mais duas pessoas conhecidas saindo de um prédio por uma rampa de dois módulos. Eu, meio "distraído" venho fitando uma nuvem no céu. Não sei porque, mas num céu nublado e cheio de nuvens aquela me chamou atenção. De onde estávamos, ela parecia um ponto branco no céu. Aos poucos aquele ponto foi ganhando volume e tendo seu interior de um azul extremamente límpido, a medida que ela ia aumentando seu tamanho, mais ela se parecia com um vórtice.
Falo com as duas pessoas sobre a mesma e mostro. Eles também passam a mirá-la com um ar diferente, entre admirados e incrédulos.
Um novo ponto branco surge. Este tem um brilho intenso e se aproxima com mais velocidade que a nuvem se "movimentou". Rapidamente aquele que era um ponto chega mais perto e fica maior, muito maior. Passados alguns poucos minutos, uma imensa bola se divide em três do mesmo tamanho, seu movimento diminui drasticamente e, com isso, sua visualização se torna mais clara. Eram naves.
Sinto uma estranha vibração se aproximando, um grupo de caças rasga o céu por sobre nossas cabeças em direção as naves. Sem que fosse perceptível qualquer tipo de disparo, simplesmente os caças começam a explodir, como se fossem fogos de artifício pipocando.
Uma correria começa a tomar conta das ruas. Todos tentam fugir, mesmo sem saber do que e para onde.
As imagens começam a acelerar. Me vejo num galpão cheio de pessoas. Um grupo se destaca. Vestem túnicas laranjas, medem no mínimo 1,90 m. e são negros.
Estes cercam o grupo maior, como se fossem guardas vigiando seus prisioneiros.
A agitação, o pânico, a raiva e outros sentimentos tornavam o clima denso. Ninguém tinha noção do que acontecia.
Uma onda de Paz começa a tomar conta de mim, me sinto sereno, equilibrado. A medida que esta energia cresce, minha voz interior diz que devo apenas sair dali. Caminhar em direção à porta e ir embora, seguir meu rumo.
Começo a avançar em direção a saída, lentamente, evitando a multidão. Sem perceber estou passando pelo meio dela.
Vou avançando e vejo que alguns me acompanham. Em silêncio, mas com uma vibração que deixa um rastro, seguimos até a rua.
Passamos pelos guardas sem problema algum, estamos livres.
De repente o inimaginável acontece. Após a sensação de alívio tomar conta de nós, ouve-se o estrondo.
Alguém peida.
Começamos a rir e com isso voltamos a ser vistos pelos "inimigos" que nos capturam novamente.
Acordei neste momento.

Carlos Eduardo
Porto Alegre, 31 de maio de 2013.

sábado, 20 de abril de 2013

Utopia do Politicamente Correto.


Quanto mais os anos passam, mais eu concluo que vivo numa realidade paralela.
Na era do politicamente correto, onde se tu não estiveres incluso num dos grupos das chamadas minorias (negros, índios, mulheres, miseráveis, GLS,...) tu simplesmente ficas desassistido.
Onde Heitor Villa-Lobos é acusado de incitar a violência doméstica e contra os animais (não se atira mais o pau no gato e o Cravo e a Rosa não brigam), mas as mesmas crianças que não podem cantar a música original podem se chamar de popozudas, cachorras e se tratarem como meros objetos sexuais (isso não incita a violência contra a mulher, a perversão, a promiscuidade e, menos ainda, a prostituição infantil).
Em que se morre dentro de ambulâncias, filas intermináveis ou nos corredores dos hospitais por falta de saúde pública e fazemos campanha por hospitais veterinários públicos.
Na qual se fazem manifestações pelos direitos dos animais e em casa enche de inseticida e veneno para rato (insetos e ratos não são animais?).
Sem falar que trabalhamos mais e mais tentando obter coisas ficando com menos tempo para usufruir as mesmas.
Quando falo em um Mundo melhor, onde exista harmonia, respeito e Amor, onde trocamos o ter pelo Ser, chamam-me de utópico. Mas ao menos a minha utopia é bem mais coerente do que a “realidade”, pois não cria separações desnecessárias.

Carlos Eduardo

Porto Alegre, 20 de abril de 2013.

sábado, 23 de março de 2013

Eu e meus eus.

Sou feito de tantos Eus que já desisti de os contar.
Alguns se encontram seguido, se ajudam, compartilham e, através de sua união, acabam tocando outros Eus, meus e teus.
Mas também tem aqueles meus Eus que não se importam, que criam obstáculos, que preferem ver o circo pegar fogo.
E, apesar de ser tantos e todos estes Eus, sempre serei um único Eu.

Carlos Eduardo.
Porto Alegre, 23 de Março de 2013.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sou Coruja.


Algumas pessoas me perguntam por que desta minha paixão por corujas. Normalmente as pessoas gostam de gatos, cachorros, mas coruja é um pouco exótico.
Minha ligação com elas se estreitou tem alguns anos. Eu e uma amiga tínhamos planos de montar um sítio para encontros de meditação e outras atividades afim, em Canela.
Combinamos de realizar uma meditação para pedir permissão e ajuda dos elementais. Quando chegamos e abrimos a casa havia uma coruja do mato ferida dentro. Cuidamos dela a noite e no outro dia a colocamos novamente no seu habitat natural.
Após o almoço fomos olhar e a bichinha não tinha resistido. A enterramos e demos uma caminhada para sentir a “natureza”.
Quando retornamos nos preparamos para iniciar a meditação. Apenas os sons da natureza ao redor, o ar puro e fresco energizando o corpo.
Uma sensação estranha toma conta de mim, sinto como se estivessem me abrindo o topo da cabeça, “vejo” a coruja sobrevoando e aos poucos ela vai pousando suavemente, se acoplando a mim, fazendo parte de quem eu Sou.
Se eu fui o escolhido ou se fui quem escolhi ou até mesmo se foi apenas a representação ritualística de um dos meus “dons” não sei dizer. Sei que me deixou uma marca e trouxe as corujas para minha vida.

Carlos Eduardo
Porto Alegre, 17 de janeiro de 2013.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Divagando o fim de outubro.

Outubro está chegando ao fim.
Mais uma vez o movimento das academias aumenta mais pessoas começam a se preocupar com o corpo (e não com a saúde), procurando melhorar a forma para não fazer feio no verão quando as roupas naturalmente tendem a expor mais partes que durante as épocas frias ficam escondidas.
Curiosamente, o mês de dezembro é aquele que marca o início do verão, mas é também o mês onde mais descuidamos da nossa forma. São tantas confraternizações natalinas, seja com os amigos, familiares, colegas de trabalho/escola/faculdade, enfim, praticamente passamos um mês inteiro comendo e bebendo de tudo.
Mas voltando a outubro, seu último dia é marcado pelo Halloween.  Esta celebração tem origem numa tradição antiga, numa celebração celta, que representaria o final do verão. O Samhain, que era celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro, era uma festividade que pretendia cultuar os mortos.
Com o passar dos tempos, as mudanças no poder foram distorcendo o verdadeiro significado desta festa. E, com o domínio da Igreja, esta comemoração passou a ser feita em um único dia.
Se olharmos as diversas versões históricas que temos sobre a humanidade, percebemos que o homo sapiens sempre cultuou e respeitou o papel da mulher na formação cultural/social dos povos. Só que com o passar do tempo e com o poder passando a ser representado por entidades estritamente patriarcais, pois se acreditava que para comandar qualquer instituição seria necessário ser forte (ter força física) e que esta é uma característica predominantemente masculina, chegou-se a conclusão que a mulher não poderia ter poder, por ser ela um ser frágil se comparada ao homem.
Esta visão pode ser testada com a Bíblia e a estrutura da Igreja Católica. Na criação do mundo, Deus (descrito como um “velhinho de barbas brancas”) cria Adão e, depois de uma costela do mesmo, Ele faz a mulher. Por que será que é assim? Teria por acaso surgido esta versão para contrapor-se ao dom natural que as mulheres têm de carregar por nove meses uma vida e depois, ao parir, possibilitar que esta vida faça sentido? Seria uma forma de obrigar as mulheres a reconhecerem um poder que os homens queriam ter, mesmo que se valendo da força?
Sem a junção do princípio Masculino com o Feminino não pode existir geração, quer seja de uma vida, quer seja de um projeto.
A sensibilidade feminina representava um problema grandioso.
O poder que elas tinham em influenciar de forma simples nas decisões mais importantes, pois ao usarem sua sensibilidade conseguiam ter uma visão mais ampla, possibilitando que distinguissem com mais facilidade o que iria beneficiar poucos ou o que viria em benefício do Todo e, como faziam uma pressão sutil nos seus maridos, sem precisar do uso da força, viraram um perigo aqueles que tinham fome de poder.
Foram sendo criadas formas de tolher este poder natural e com isso alguns mitos precisaram ser criados para dar embasamento ao poder masculino.
As bruxas, ou seja, aquelas mulheres que tinham uma facilidade maior de lidar com seu lado espiritual/energético surgiram exatamente para desencorajar as mulheres de usarem sua sensibilidade. Devendo elas apenas obedecer ao homem e servi-lo, sem questionar, sem opinar, sem direitos, mas com uma bagagem enorme de deveres.
 Usando a Bíblia novamente veremos que esta visão fica facilmente identificável em diversos pontos. Além de Eva ter sido criada da costela de Adão, vemos que o pecado original surgiu quando a mesma Eva ao ouvir a cobra (sua intuição) comeu o fruto proibido.
Também vemos isso na criação da Virgem Maria, pois Jesus não poderia ser gerado de forma natural, através da união carnal entre o masculino e o feminino. Era preciso se criar um fato que O tornasse superior e, com isso, surge um Anjo para semear Maria. Se ela fosse uma mulher normal, como todas as outras, Ele deixaria de ser superior. Ele não seria visto como um “Deus”, mas sim como uma pessoa normal. Então era preciso que a Mãe dele fosse abençoada com um sopro divino e desta forma ficasse grávida, sem ter sido corrompida pelo pecado do sexo (o que explica o celibato, pois quem pratica o ato sexual não é puro, foi corrompido pelo poder de sedução da Bruxa/Mulher).
Outro exemplo é Maria Madalena, que é descrita por historiadores e estudiosos como esposa de Jesus, mas que na bíblia aparece como uma prostituta. Foi necessário associar esta alcunha a ela, para que se desligasse a sua imagem a imagem de Jesus.
Usei estes exemplos não como forma de atacar uma ou outra religião, mas sim para mostrar como é fácil se criar “pré-conceitos” baseados em situações mal explicadas.
Espero que este final de outubro não sirva apenas para se festejar o Halloween, mas que possamos realmente celebrar os Princípios Masculino e Feminino, que possamos nos abrir a nossa intuição e a nossa “sensibilidade” (Feminino), da mesma forma que nos abrimos ao lado prático e racional (Masculino).
Porto Alegre, 30 de outubro de 2012.
Carlos Eduardo


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais uma divagação sobre o Amor.

Ah, o Amor!!! Este eterno incompreendido.
Sempre que penso sobre ele, duas coisas me vem à cabeça:
A frase final dos padres num casamento: Até que a morte os separe; E o fim dos contos de fadas: E foram felizes para sempre.
Mas será que existe prazo de validade para este sentimento tão nobre?
Alguns meses atrás eu sofri por algo que eu acreditei ser Amor e, até era, mas o meu sofrimento foi por falta dele, não pela outra pessoa, mas de Amor próprio.
Quando entramos numa relação existe o encantamento, somos tomados por uma fascinação que embaralha os sentimentos. Acreditamos que a pessoa é perfeita. Nos deixamos cegar pela nossa falta de autoconhecimento e acabamos buscando no outro qualidades que nos completem. Só que ninguém pode completar ninguém, pois nascemos completos, apesar de inacabados.
Sei que muitos discordam da minha forma de perceber o Amor, acham que se Amo assim é por que na verdade nunca Amei de verdade. E, de forma alguma quero ser o dono da verdade de Amar.
A idealização romântica do Amor, aquela dos contos, das novelas e filmes, cria uma ilusão, faz com que queiramos aprisionar o outro e sintamos necessidade de nos preencher com ele. Queremos engaiolar o objeto do nosso Amor. Sim, objeto, pois deixamos de perceber o humano e o transformamos em uma coisa que nos pertence. Ficamos possessivos e nos sentimos ameaçados quando o outro não abre mão do seu passado, da sua história própria.
Esta forma de enxergar o Amor pode ser comparada a um papagaio de estimação. A primeira coisa que se faz quando queremos cria-lo é dar um corte nas suas asinhas para que desta forma ele possa ficar solto, mas não consiga voar e, assim, não fuja.
Desejamos o melhor para o outro, contanto que o melhor seja estar sempre preso a nós. Mesmo que com esta atitude estejamos sufocando-o e matando-o.
Já vi muita gente falar que o Amor hoje em dia se transformou em algo banal, que é fácil demais dizermos te Amo, que o fazemos para qualquer um, mas será que este pensamento não surge exatamente por que queremos exclusividade?
Posso usar o exemplo dos Avatares (Grandes Mestres) como Buda, Jesus, Gandhi e Krishnamurti, entre outros. Eles não dedicavam seu Amor a apenas uma pessoa, mesmo que alguns deles fossem casados. Procuravam doar seu Amor a humanidade, sem querer aprisionar ninguém. Davam liberdade para que os outros voassem, mesmo sabendo que talvez estes nunca mais voltassem para Eles.
Se estou certo ou errado não sei dizer e também não me interesso por isso. O que sei é que não tenho como deixar de ser quem eu sou, buscando Amar de forma livre, dando asas e, muitas vezes, estimulando o outro a se afastar para que desta forma se encontre e seja feliz.
Carlos Eduardo
Vacaria, 16 de outubro de 2012.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Viajando na divagação.


Viajar é sempre muito bom. Ainda mais quando não se é o motorista, pois assim conseguimos curtir a paisagem e, no meu caso, também dou risada de alguns outdoors que vejo pelo caminho.
Passei a pouco por dois que me chamaram a atenção. No primeiro, uma atriz aparece fazendo propaganda de uma malharia, só que a cara dela era um misto de espanto e horror, como se a malha estivesse pinicando a pele. Já no segundo, eu diria que é um daqueles casos em que o dono da empresa não se deu conta que o nome escolhido pode ser daqueles considerados um tiro no próprio pé. Imaginem um provedor de internet com o nome de CaíWeb. Tudo bem, ele quis usar uma parte do nome da cidade, São Sebastião do Caí, mas convenhamos que a primeira coisa que vem a mente é uma internet que fica caindo toda hora. Nisso me lembrei de uma lavanderia na zona sul de Porto Alegre, lavanderia Porcão.
Acabo de passar por outra empresa da mesma cidade e de novo o nome não ajuda muito. Construtora Construcaí.
Tá bom, tá bom, sei que sou crítico, mas realmente é algo que chama a atenção. Eu nunca usaria os serviços de nenhuma destas três empresas, mesmo que fossem extremamente bem recomendados.
À medida que o tempo foi passando, minha mente também passou a viajar. Fui relembrando de algumas viagens ao mesmo tempo em que ouvia as conversas dos outros passageiros do ônibus.
Duas moças conversando, falando sobre Canoas e Cachoeirinha. Daqui a pouco ela se atrapalha e fala em Cachoas. Comecei a rir. E meu lado irônico já se manifestou mentalmente, imaginando que deva ser a divisa entre os dois municípios.
Já em São Leopoldo, recordei de quando fui para Porto Seguro de ônibus. Quase quatro dias de viagem. Próximo à divisa de Minas com a Bahia, as estradas são horríveis e as rodoviárias podem ser consideradas pulgueiros. Acabei me lembrando desta viagem, pois o ônibus parou na rodoviária e entra um cidadão anunciando: água gelada, salgadinhos, goma e paçoquinha. Isso mesmo, vendedor ambulante dentro do ônibus.
Como no tempo que fui casado viajava muito para estes lados que estou indo, fui relembrando de alguns lugares. Tinha uma fábrica de biscoitos em portão onde eu gostava de parar para comprar mandolate, que por serem as rebarbas saia bem mais barato, daí eu comprava de quilos.
Fazia muito tempo que eu não vinha para estes lados da serra gaúcha. Para os Campos de Cima da Serra.
No trajeto deu para ver o estrago que as chuvas causaram em alguns locais. Muitos alagamentos e desmoronamentos.
Mas voltando as lembranças, após passar por S.S. Caí e ver ruas e terrenos alagados, me recordei de um amigo na praia. Nós conversávamos em um grupo e daqui a pouco ele me vem com esta:
- Um dos problemas do Ser Humano é que ele é muito solúvel (volúvel).
Buenas. Vou parando por aqui, mas talvez eu ainda retome esta antes do fim do trajeto de ida.
Carlos Eduardo
Pelas estradas do Rio Grande, 19 de setembro de 2012.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Divagando - o retorno


Sempre acreditei que a melhor coisa na vida é o autoconhecimento, mas hoje tenho minhas dúvidas quanto a isso.
Parece que quanto mais me conheço, mais perto eu chego da insanidade.
Esta noite está sendo cruel. Além das dores físicas com as quais convivo quase diariamente tem uns seis anos estarem me incomodando demais hoje, ainda tem os fantasmas que resolveram sair do armário.
Todas as vezes que tentei relaxar e dormir, vinha o filme da minha vida na cabeça. Isso não seria problema se o filme fosse completo, mas quem editou ele deixou só as partes de terror. Sem contar os efeitos especiais das luzes do quarto acendendo e desligando sozinha.
Revivi os seis acidentes de carro que tive, sendo que em apenas um deles eu era o motorista. Relembrei da última vez que surfei. Das várias vezes em que confiei nas pessoas, sendo que isso me custou uma prancha, uma capa, uma mochila e um par de botinhas que emprestei e nunca mais foram devolvidas, entre outras coisas.
Lembrei também de quando voltei da Bahia. Que o assunto de alguns tios e primos era o fato de uma prima que tinha ido morar em São Paulo não morar em São Paulo, mas que ela morava comigo.
Veio a minha mente também as várias noites que passei em branco, não que não tivesse sono, mas porque tinha medo de dormir e ser atacado, isso quando não era atacado acordado mesmo. Ou de quantas noites deixei de dormir tentando dar paz para alguém que necessitava, e que dependendo o tipo de ajuda, gerava mais ataques ainda.
Algumas das cenas nem consigo escrever sobre, pois me deixam com muita raiva.
Quando comecei a escrever minhas divagações não me preocupei com as críticas, mas hoje algumas delas me massacraram.
E no meio desta tempestade toda, lembrei-me de algo que foi dito/perguntado algumas vezes pelas minhas colegas do curso de naturopatia. “O que se passava pela minha cabeça que eu ficava quieto e sorrindo quase o tempo todo”. E eu nunca respondi, pois muitas vezes nem eu mesmo sabia. Mas hoje eu percebo que me sentia em casa, que eu não era tão diferente delas. Que apesar das vivências diferentes, tínhamos muitas coisas em comum.
Muita gente não imagina o quanto me machuca ser tratado como se eu fosse um anjo ou um santo. O peso que isso coloca nos meus ombros. O medo de não decepcionar. O não poder ser eu mesmo. O ter que estar sempre disposto e bem, mesmo que fosse só faixada. O ter que agir de forma exemplar sempre para não parecer incoerente.
Já me disseram muitas vezes que eu preciso aprender a apreciar a vida, que tenho que largar de mão meu lado espiritual e curtir mais. Só que meu lado espiritual é o que me dá força para seguir adiante. Graças a ele eu ainda não surtei completamente.
Sei que se sou assim foi por que eu escolhi. Que meus dons são a forma de me redimir. Só que em muitos momentos eles me massacram, principalmente quando não sei se o que sinto é realmente meu.
Queria que fosse fácil como muitos me dizem de fechar meu canal, gostaria de poder realmente só receber o que eu quisesse. Mas já fiz tudo que possa ser imaginado e nada funciona.
Então, acabo vivendo quase que isolado. Sinto-me deslocado na maior parte dos lugares ou então tenho que passar o tempo inteiro me controlando para não absorver coisas dos outros, o que desgasta demais.
Vejo seguido as pessoas dizerem da benção que é suas famílias, de como o convívio com os seus é maravilhoso. E não tenho vergonha de dizer que sinto inveja destas, pois não me sinto pertencente a minha família. Tem pessoas que são maravilhosas na minha família, mas me privo do convívio com elas por causa do resto, daqueles que passam o tempo todo me criticando e falando mal e na minha presença me tratam como se eu fosse a melhor pessoa do mundo. Pois é, o cinismo me cansa, me irrita e trás a tona o que de pior eu tenho.
Tenho tanto medo de não ser aquilo que as pessoas imaginam que eu sou que acabo não sendo nem eu mesmo. Fico em cima do muro, inseguro, me achando a pessoa mais chata e sem graça que existe.
Posso dizer que hoje em dia estou melhor, mas que ainda tenho muito que melhorar.

Carlos Eduardo
Porto Alegre, 10 de setembro de 2012.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Divagando-me

Quem sou eu?
Já tem algum tempo esta pergunta vem tomando conta de mim.
E, até agora, a única resposta que encontro é que sou um poço de divergências ambulante.
Passo muito tempo numa luta interna, entre a minha natureza e aquilo que a sociedade espera de mim.
A minha natureza se transforma numa ameaça ao status quo, pois tenho convicção que podemos mudar esta forma doentia que temos de nos relacionar com o que nos cerca. Ouço quase que diariamente que sou um sonhador, um utopista. Que a realidade que eu vejo é muito bonita, mas impraticável. Que talvez eu devesse usar esta minha facilidade em lidar com as palavras para escrever uma série de livros baseadas nesta minha utopia, pois assim ao menos eu ganharia muito dinheiro. Mas esta seria uma forma de eu me vender a este sistema e, consequentemente, de me afastar cada vez mais da minha natureza interior.
Quando digo que sou uma ameaça, não é porque eu saio por aí apontando uma arma para as pessoas, mas sim porque as minhas ideias são subversivas e abalam a zona de conforto em que se encontram. E aqui posso dizer que a minha "paralisia" também é porque estou numa zona de conforto, onde eu sei exatamente o que vai acontecer.
Como todo animal, também sou condicionável. Os conceitos familiares e sociais influenciam naquilo que sou hoje, mesmo que eu conheça razoavelmente bem a minha "bagagem existencial". Alguns "pré-conceitos" adquiridos se chocam com o que meu Ser acredita, fazendo com que eu gaste uma energia muito grande de forma improdutiva.
Muitas vezes preciso  fugir deste confronto entre o meu Ser e o meu Ego. Criar uma realidade mais agradável, mesmo sabendo que sempre chega um momento onde retorno para a "realidade Real".
Já me disseram que quando me abro através das minhas divagações, estou procurando me fazer de coitadinho ou então buscando aceitação dos outros, mas eu acredito que esta seja a forma que eu encontrei de olhar com mais clareza para minhas vivências. Mesmo que exista um lado sombrio em mim, o qual poucos conhecem, acabo jogando luz através da releitura da minha existência.
Como eu posso ter tanta facilidade em "clarear" a vida dos outros, mas com a minha normalmente não consigo fazer o mesmo? Por que toda vez que a vida volta a fluir com naturalidade eu deixo que o medo me sufoque? 
Por volta dos meus 29 anos, fiz terapia com uma psicóloga. Depois de uns 3 meses de tratamento, ela me convidou para trabalhar com ela, sendo acompanhante terapêutico dos pacientes dela. Segundo ela, isso me ajudaria a enxergar melhor as qualidades que tenho e a entender determinadas reações que eu apresento, algo como um espelho, no qual eu refletiria os meus "problemas" na imagem dos pacientes.
Isso realmente me permitiu ter uma nova perspectiva, assim como me ajudou a entender cada vez mais o comportamento humano. O que nem sempre é fácil de lidar. Saber o que leva as pessoas  a agirem de acordo com determinados padrões ajuda no processo de auto-conhecimento que venho fazendo. 
Hoje reconheço cada uma das minhas máscaras, dos meus personagens. Sei das minhas virtudes e também sei que sou manipulador, prepotente, cabeça-dura, arrogante, crítico, entre outros defeitos.
Também me questiono muito sobre esta minha característica de ajudar os outros. Até que ponto faço isso de forma desapegada? Será que faço em busca de aceitação? Ou para fugir de mim mesmo? Além do fato da vontade de ajudar ser parte do meu Ser, o que mais está escondido nesta atitude? Pois nem sempre faço isso somente de coração, só que ainda não define que outra intenção está presente. Pode ser também uma forma de parecer ser bonzinho e me redimir dos meus "pecados"?
E este último questionamento surge cada vez que aqueles que eu ajudo dizem que sou um "anjo", alguém que está mais adiantado, que é mais evoluído.
Só que sou humano. Tenho meus medos, minhas culpas, minhas fraquezas e angústias como todo mundo.
Como sou predominantemente sentimental, vivo procurando explicações. Ser sentimental não é aquela coisa de ser meloso, mas sim de vivenciar todas as emoções de uma forma intensa.
Junto a este desequilíbrio vem a sensibilidade de captar energias diversas, que já me disseram precisa ser trabalhada pelo meu lado racional, filtrando o que quero ou não captar. E sei que preciso me "adestrar". Treinar sempre que lembrar aquelas coisas que preciso modificar. Somente assim elas viram rotineiras e passam a fluir normalmente.
Algumas pessoas sabem o principal medo que me paralisa. Tenho medo da bagagem que carrego. Não que ela seja um fardo pesado, apesar de terem fatos que são. O que me aprisiona é a possibilidade de eu fazer novamente um uso errado desta bagagem.
Já vi muita gente boa fazer isso. E como conheço pedaços de outras vidas bastante pesados, onde o Ego foi completamente  corrompido pelo poder, pela ganância e pelo status, fico temeroso que isso possa se repetir. Mesmo sabendo que o que me foi permitido ver faz parte de um processo de cura e perdão, ainda não me acho capaz de usar meu conhecimento de forma tranquila.
Meu lado profissional fica trancado também, pois meu desenvolvimento tem que ser como um todo. Meu aspecto material precisa andar junto com meu aspecto espiritual/energético, com meu aspecto sentimental e com o racional. Em harmonia e equilíbrio.
Muitas vezes achei que tinha conseguido me livrar de algumas correntes do passado, mas hoje percebo que a maioria delas eu apenas soltei de mim e larguei no chão, mas depois de alguns passos eu acabo me enroscando de novo. Então me resta me libertar de novo e, desta vez, derreter estas correntes e transformá-las em algo que me auxilie a seguir adiante.

Porto Alegre, 11 de junho de 2012.
Carlos Eduardo

Tenham sempre muita luz, paz, harmonia e Amor.